Sobre o PPGEDU
O PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
Contextualização institucional e regional
A globalização, o avanço da tecnologia e da ciência e a utilização de novas linguagens exigem cada vez mais de seus cidadãos um nível de escolarização e conhecimentos especializados que se remetem às práticas sociais, que de fato possam empoderar o sujeito e a todos com os quais se relacionam profissionalmente. Assim, é papel da Universidade articular-se com a sociedade, contribuindo para a formação profissional e humana de cidadãos capazes de pensar e agir criticamente. Para atingir este intento, a Universidade deve firmar-se, a partir de práticas de ensino, pesquisa, extensão e serviços que atendam aos interesses da sociedade e o compromisso com as questões sociais que afetam, particularmente, a formação de professores.
Em se tratando da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco, ela está situada em Garanhuns, na Microrregião do Agreste Meridional, em Pernambuco, e é formada por 26 municípios: Águas Belas, Angelim, Bom Conselho, Brejão, Buíque, Caetés, Calçado, Canhotinho, Capoeiras, Correntes, Garanhuns, Iati, Itaíba, Jucati, Jupi, Jurema, Lagoa do Ouro, Lajedo, Palmeirina, Paranatama, Pedra, Saloá, São João, Terezinha, Tupanatinga e Venturosa.
A região do Agreste Meridional ainda incorpora identidades culturais que ampliam os ecossistemas de saberes que fazem parte da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco, haja vista que das cento e cinquenta e uma comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares e presentes no estado de Pernambuco, cinquenta e nove destas estão localizadas na mesorregião Agreste. Logo, observamos que a maior concentração das comunidades no Estado está na região em questão, sendo seis presentes no município de Garanhuns, são elas: Castainho, Timbó, Estrela, Estiva, Caluete, Tigre, além da comunidade de Atoleiro, no município de Caetés, todas participantes ativas na incorporação de estudantes quilombolas na universidade, principalmente no curso de Pedagogia, estruturando uma prática constante da UFAPE em formar professores e professoras quilombolas para atuação nos quadros das redes estadual e municipal de Pernambuco.
Nessas condições, ainda que cientes das fragilidades institucionais no que concerne à formação da categoria de professores quilombolas, bem como das inúmeras diferenças contextuais emergentes nas comunidades, a importância de um mestrado na região é fundamental para incorporar novas estratégias e dinâmicas na formação destes agentes em grau de excelência que um mestrado exige.
Ressaltamos ainda um dado importante sobre a UFAPE. Emancipada no ano de 2018, a partir da Lei nº 13.651, de 11 de abril de 2018, por meio do desmembramento da Unidade Acadêmica de Garanhuns (UAG), da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), ela foi fruto da primeira unidade de expansão, no âmbito do Programa Reuni, instituída com base nas metas e políticas de interiorização do conhecimento instaladas em 2005. Na época, o campus foi aberto com quatro cursos de graduação, sendo: Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia e Licenciatura em Pedagogia, e atualmente conta com 9 cursos de graduação, além desses quatro, temos: Bacharelado em Ciência da Computação, Engenharia de Alimentos, Licenciatura em Letras, Ciências Contábeis, Administração. Em breve serão iniciados mais dois novos cursos já aprovados: Ciências dos Dados, Direito e Psicologia.
Atualmente, embora tais índices tenham aumentando, ainda continuam sendo motivo de grandes preocupações. Em relação ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), por exemplo, o Agreste Meridional alcançou o percentual de 0,598, inferior ao de Pernambuco que é de 0,705 (Fonte: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pe/panorama). Entre os maiores índices observados estão os municípios de Garanhuns (0,692), Venturosa (0,633) e Lajedo (0,625). Esses números nos mostram que a maioria destes municípios ainda apresenta baixo IDH, ficando nas faixas de classificação tidas como baixo (0,500 – 0,599) e muito baixo (0,000 – 0,499).
No que se refere ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB, este também se encontra abaixo do desempenho da média nacional. As notas divulgadas pelo Ministério da Educação (Fonte: http://ideb.inep.gov.br/resultado), referentes ao ano de 2021 indicam que Garanhuns, por exemplo, obteve um índice de 5.0 (4o Série / 5o Ano) e 5.0 (8a Série / 9o Ano). Os resultados de Garanhuns se assemelham à grande parte dos municípios nordestinos, região em que se concentra a pior situação no IDEB, revelando assim o tamanho das desigualdades socioeconômicas existente no Brasil que se reflete no desempenho escolar, na formação docente e na qualidade do ensino ofertado nas redes públicas dos Estados do Nordeste.
Mesmo que a variável educação tenha evoluído na última década, provavelmente pelas iniciativas estaduais e, principalmente, federais de interiorização da educação, sobretudo da Educação Superior, o nível de escolaridade ainda é muito baixo. A população adulta (25 anos ou mais) apresenta a taxa de analfabetismo de 53,17% e a média de anos estudados é de 2,42%. Na faixa etária de 15 a 24 anos, o índice de escolarização é de 22,7%.
Este cenário de desenvolvimento exige que a UFAPE assuma, de fato, o compromisso social com o território no qual está inserido, tal como está expressado em seu Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) (2023- 2028, p. 160):
A política interna de responsabilidade social da UFAPE está pautada em princípios como a ética, a transparência, a sustentabilidade e o respeito ao outro, ao estado democrático de direito e aos direitos humanos. Como instituição pública de ensino superior, a Universidade precisa assumir o compromisso não só com a produção e a disseminação do conhecimento científico, mas também com ações que promovam a inclusão social, o respeito ao meio ambiente, o exercício da cidadania, o desenvolvimento econômico e a valorização e a defesa da produção cultural local.
Como já ressaltava Freire (2015), a universidade precisa considerar o contexto social como ponto de partida, se não quiser se caracterizar como instituição “estrangeira à sua cidade”. Se não assumimos esse contexto como nosso, dificilmente conseguiremos contribuir com a transformação da realidade.
Compreendemos que a melhoria da Educação ofertada perpassa fortemente pela qualidade da formação dos nossos professores da Educação Básica. Na UFAPE temos dois cursos de Licenciatura (Pedagogia e Letras) e, por isso, já estamos atuando na formação inicial de professores. Contudo, reconhecemos que o profissional da Educação precisa estar constantemente estudando, pesquisando, aprofundando seus conhecimentos para conseguir lidar com os desafios de sua realidade educacional. Essa continuidade geralmente acontece por meio de cursos de curta duração promovido pelas redes de ensino e/ou cursos de pós-graduação ofertados pelas universidades.
A região está favorecida pela existência de universidades e centros universitários públicos e privados, responsáveis pela ampliação da oferta de educação em nível superior. Constata-se ainda, no Município de Garanhuns, a localização dos sistemas de ensino municipal e estadual, onde sedia a Gerência Regional de Ensino do Agreste do Estado que atende aos municípios de Águas Belas, Angelim, Bom Conselho, Brejão, Caetés, Calçado, Canhotinho, Capoeiras, Correntes, Garanhuns, Iati, Jucati, Jupi, Jurema, Lagoa do Ouro, Lajedo, Palmeirinha, Paranatama, Saloá, São Bento do Una, São João e Terezinha. São aproximadamente 994 professores efetivos e 1100 com contrato temporário sendo acompanhados por tal Gerência, mas esses números variam com o encerramento de contratos e a nomeação de novos professores concursados. Já a rede municipal da cidade de Garanhuns conta atualmente com 1.536 docentes. Há no território escolas e professoras que atuam com quilombolas e indígenas. Em Garanhuns ainda existe um Fórum Municipal de Educação Permanente e um Conselho Municipal de Educação. É considerada uma cidade centro de formação de professores, buscando ofertar cursos para a docência, supervisão e gestão escolar.
Com muita frequência recebíamos pedidos e demandas por uma pós-graduação em Educação em nossa instituição, seja de nossos estudantes egressos, seja das secretarias de Educação do entorno (como pode ser ratificado pelas cartas anexadas a essa proposta). As demandas existem porque temos uma escassez de Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu, com a oferta de cursos de Mestrado e/ou Doutorado em Educação no Agreste Meridional. Geralmente quando os professores desejam prosseguir os estudos, dedicam-se aos Cursos de Especialização, Lato Sensu, oferecidos pelas Instituições de Educação Superior comumente privadas, que estão localizadas em Garanhuns e municípios circunvizinhos e, caso queiram Curso Stricto Sensu em Educação, necessitam se deslocar para Caruaru, – se aprovados nas poucas vagas ofertadas -, que fica a 100 km ou para Maceió, que fica a 160 km, tendo que se deslocar do município e fixar moradia. E vale salientar que essas pós-graduações se constituem como Mestrados Acadêmicos; o Mestrado Profissional em Educação mais próximo da nossa região fica na capital, Recife, a 236 km de distância.
Os professores das redes públicas de ensino geralmente relatavam ter muitas dificuldades para se ausentar de suas atividades profissionais e cursarem uma pós-graduação distante do seu ambiente de trabalho. Soma-se a estes casos, os dos nossos egressos da UFAPE que, em boa parte, são oriundos de classes populares, vindos de escolas públicas da região e/ou residentes de áreas rurais, assim como das comunidades quilombolas e indígenas do Agreste Meridional. Essa distância geográfica, bem como as dificuldades financeiras em custear as despesas dessa locomoção e da permanência no curso, fazem com que muitos sequer tentem participar das seleções de mestrado. Como pode ser visto, as demandas existem e o curso será de vital importância para o desenvolvimento dos profissionais da Educação da região.
Foram também essas carências de alternativas educacionais que viabilizassem a continuidade da trajetória acadêmica de nossos egressos e dos professores em serviço da região, que nos impulsionaram a elaborar a supracitada proposta de Mestrado profissional em Educação na UFAPE. Temos a intenção de cumprir o papel social da universidade como uma instituição pública, gratuita e que visa à produção de conhecimento. Aqueles que participam de um programa de Pós-Graduação Stricto Sensu, tornam-se agentes conscientes dos problemas que demandam da Educação Básica e Superior, sujeitos críticos e competentes a desenvolver pesquisas e produtos educacionais que contribuam para a melhoria da Educação ofertada.
Corroboravam ainda para a criação dessa Pós-Graduação, o fato da UFAPE ter grande aceitação na região, pela qualidade dos profissionais que formam a cada ano e pela riqueza de seus patrimônios humanos (docentes, técnicos e discentes). Salienta-se que, desde o momento de sua criação, nossa instituição apresentava a confortável estatística de um quadro docente composto pela maioria de doutores, aliado ao potencial de pesquisa dos docentes, com índices de aprovação de projetos de iniciação científica, formação de recursos humanos e publicações em periódicos especializados, bem como o diálogo com a comunidade por meio da extensão universitária.
A proposta de Mestrado que se apresentou contava com uma formação cujo perfil de seus egressos deverá contemplar uma consistente formação teórico-prática, pautada na diversidade de conhecimentos e de práticas, no campo de atuação do profissional que se quer formar. Perfil que privilegia os princípios estéticos, políticos e éticos, a interdisciplinaridade, a multidisciplinaridade, a contextualização e a transversalidade do conhecimento e na produção das pesquisas, estudos e produtos pedagógicos no campo do ensino, de aprendizagens e do trabalho pedagógico que se realiza na práxis social, em ambientes escolares e não escolares.
Esse perfil está em perfeita sintonia com a missão da instituição, apresentada em seu PDI:
A UFAPE tem como missão organizacional: Fomentar, produzir e difundir conhecimentos e inovação, através das atividades de ensino, pesquisa e extensão universitária, em consonância com as especificidades regionais, com a sustentabilidade socioambiental e a diversidade social, econômica e cultural, contribuindo para o desenvolvimento da sociedade democrática brasileira, atendendo as demandas de interesse público (UFAPE, 2023-2028, p. 40).
Como podemos notar, a existência de um Mestrado Profissional em Educação possibilitará a ampliação das perspectivas de formação e qualificação profissional, impulsionando a Educação Básica e Superior em nosso Agreste Meridional e regiões circunvizinhas do Estado de Pernambuco. Como universidade pública, a nossa proposta tem compromisso com a qualidade sociocultural e ambiental da educação, a ampliação do acesso e permanência da comunidade local, o uso de tecnologias da informação e comunicação nos processos pedagógicos, assim como a atenção à questões ligadas à diversidade e diferença de gênero, etnia, religião e à educação para os direitos; esses aspectos estão intrinsecamente relacionados à missão institucional exposta mais acima.
Desde a criação da UAG, que a administração central teve a preocupação em priorizar a contratação de Doutores, visando, principalmente, ampliar e consolidar, em pouco tempo, a Política de Pós-graduação, para além de sua sede. Assim, em 2009, um grupo de docentes doutores aqui lotados enviou para a CAPES três Propostas de Cursos Novos (APCN) de Mestrados Acadêmicos: a) Mestrado em Ciência Animal e Pastagens (PPGCAP); b) Mestrado em Produção Agrícola (PPGPA); c) e Mestrado em Sanidade e Reprodução de Ruminantes (PPGSRR). Todos foram aprovados, o PPGSRR iniciou suas atividades em março de 2010 e o PPGCAP e PPGPA iniciaram suas atividades em agosto de 2010. Nesse tempo, esses três mestrados já formaram mais de 200 mestres, dos quais cerca de 50% continuam seus estudos em cursos de Doutorado em várias instituições de renome nacional e internacional, como: USP, UFLA, UFV, UNESP, UFPE, dentre outros.
Considerando que os Cursos de Graduação na UFAPE não são apenas da área de Ciências Agrárias, com a consolidação do Curso de Licenciatura em Letras, criou-se em 2014, um Polo do Programa de Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS), oferecido em rede nacional, que conta com a participação de instituições de ensino superior públicas no âmbito do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) e é coordenado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O curso está em pleno funcionamento, com defesas de Dissertação realizadas desde o segundo semestre de 2016, demonstrando a capacidade institucional comprovada em sediar cursos de Pós-Graduação em nível de Mestrado, seja acadêmico ou profissional. Além dos Cursos stricto sensu mencionados acima, a instituição possui também um curso lato sensu em funcionamento: Ensino de botânica.
A implantação de um Mestrado profissional em Educação na UFAPE contribuirá ainda mais para o atendimento da Meta 16, do Plano Nacional de Educação (BRASIL, 2014), a qual estipula que, em 2024, já se tenha 50% dos docentes da Educação Básica com Pós-Graduação. Atualmente, segundo dados do INEP, providos pelo Censo Escolar (BRASIL, 2022) quanto a “2.4 – Número de Docentes na Educação Básica – Ensino Regular, Especial e/ou Educação de Jovens e Adultos (EJA), por Nível de Escolaridade e Formação Acadêmica, segundo a Região Geográfica, a Unidade da Federação e o Município – 2022”, a Educação Básica conta com 2.315.616 professores(as), sendo que somente 1.010.247 (43,62%) possuem especialização, 86.470 (37,34%) são mestres e 23.927 (10,33%) são doutores. Considerando exclusivamente o Estado de Pernambuco, os dados são os seguintes: 87.628 professores(as), sendo 38.679 (44,14%) especialistas, 3.041 (3,47%) mestres e 852 (0,97%) doutores. E por fim, no município de Garanhuns – PE, cidade-sede da proposta, contamos com 1.536 professores(as), como já destacado, sendo 896 (58,33%) especialistas, e apenas 70 (4,55%) mestres e 25 (1,62%) doutores. Os dados, por si sós, demonstram o tamanho da demanda por formação especialmente em nível stricto sensu que tem variado entre 10,33% a 3,47% do conjunto dos professores em âmbito nacional, estadual e municipal.
Acreditamos que as pesquisas e conhecimentos a serem desenvolvidos no curso de Mestrado trarão efetivamente contribuições ao campo da prática, traduzindo-se em melhores condições de formação, ensino e aprendizagem para os sujeitos abrangidos pela atuação desses mestres e mestrandos, ou seja, para os professores da Educação Básica. Visamos construir um perfil de professor que reflita sua prática e que busque atender às especificidades e às possibilidades de produção de conhecimento, tendo por referência a realidade local. A intenção principal é impulsionar o desenvolvimento da comunidade atendida, de modo a agregar valores econômicos, socioculturais e a ampliar os indicadores sociais, possibilitando, assim, uma elevação da qualidade de vida dessa população concernente à Educação.
Histórico
A Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) foi criada no ano de 2018, através do desmembramento da Unidade Acadêmica de Garanhuns (UAG/UFRPE). Ela surge a partir do Programa de Apoio e Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI). A UAG foi a primeira unidade de expansão, no âmbito do Reuni, no Brasil, instituída com base nas metas e políticas de interiorização do conhecimento instaladas em 2005. Desde então, vem se consolidando como um dos principais pólos educacionais do interior de Pernambuco e tem como meta prioritária a melhoria das condições de vida da população e dos municípios que compõem o polo do Agreste Meridional.
A criação da UFAPE foi também uma oportunidade de fortalecer a região tida como polo educacional, dada à reconhecida memória de seus colégios e a força atuante de duas outras instituições públicas de ensino superior já instaladas na cidade – um campus da Universidade de Pernambuco (UPE), atualmente com 50 anos de atuação em Garanhuns, e a Autarquia de Ensino Superior de Garanhuns (AESGA), que já tem 40 anos desde sua fundação.
Considerando as necessidades de melhoria da Educação Superior e Básica do Brasil, a Universidade Federal Rural de Pernambuco, pioneira na instalação de Unidades Acadêmicas, foi também uma das primeiras instituições federais de ensino superior a criar o curso de Licenciatura Plena Normal Superior para atender duas forças motivadoras: uma externa, representada pelas demandas da realidade educacional brasileira, e outra interna, dadas as especificidades do corpo docente que compõe o Departamento de Educação do Campus Dois Irmãos e a então Unidade Acadêmica de Garanhuns.
Criada a primeira turma na sede, em Recife, e a segunda na UAG, ambas em 2005; no ENADE de 2006 o curso Normal Superior da UAG foi o 3º colocado no Brasil, dentre outros 462 cursos, comprovando a qualidade dos cursos ofertados pela Unidade Acadêmica de Garanhuns – o que se verificou com os demais cursos aqui instalados em exames nacionais e demais indicadores nos anos subsequentes. Ao reconhecer a necessidade de se estabelecer as mudanças no Curso Normal Superior, em atendimento a Resolução do CNE/CP Nº 1 de 15 de maio de 2006, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, Licenciatura o Brasil, a Universidade Federal Rural de Pernambuco realizou as alterações, transformando-o na Graduação em Pedagogia, Licenciatura.
O atual Curso de Pedagogia da UFAPE tem potencial para promover forte impacto social transformador sobre os problemas sociais, contribuindo evidentemente para a inclusão de grupos sociais (ao eleger a escola pública como lócus de produção do conhecimento prático e científico significativo), para o desenvolvimento de meios e processos de produção, inovação e difusão de conhecimentos (com ênfase colaborativa, articulada e participativa) e à ampliação de oportunidades educacionais, facilitando o acesso ao processo de formação e de qualificação (ao valorizar a formação e a identidade docente, em articulação com ações para contribuir na redução das taxas de reprovação/retenção).
Além da relevância acima elencada, o Curso de Pedagogia prioriza vivenciar a indissociabilidade entre a teoria e a prática e pela articulação com organizações de outros setores da sociedade, com vistas ao desenvolvimento de sistemas de parcerias interinstitucionais ao seguir os princípios de uma educação pública equitativa, participativa e democrática, e em articulação com as escolas públicas, pautado no diálogo com os diferentes saberes. Também evidencia a sua contribuição na formulação, implementação e acompanhamento das políticas públicas prioritárias ao desenvolvimento regional e nacional sustentável, ao fortalecer a expansão universitária, aproximar a universidade da Educação Básica, ao promover o desenvolvimento de políticas públicas de formação do professor, a partir de seu corpo docente multidisciplinar, composto por doutores, que proporcionam reflexões teórico-práticas sobre educação na região em que a Universidade se encontra: o Agreste Meridional Pernambucano.
As atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão têm definido concretamente a importância do curso na graduação e começam a projetá-lo como um espaço de reflexão promissor também em nível de pós-graduação. Em 2007, foi realizado na UAG o primeiro projeto de Pós-Graduação lato sensu da Unidade: O Curso de Especialização em Educação e Desenvolvimento Sustentável (março a dezembro de 2007) que visou acolher a diversidade de formação do corpo docente, que é multidisciplinar, e, assim, sedimentar as bases para a posterior criação do Mestrado Profissional em Educação.
Posteriormente, no âmbito da Unidade Acadêmica, ocorreu o Curso de Especialização em Educação do Campo, durante os anos de 2013 e 2014, em uma parceria entre a UFRPE, o CNPq e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O curso veio atender uma demanda de professores(as) assentados e que trabalham em Escolas do Campo, em sua grande maioria localizados nos assentamentos de Reforma Agrária, sendo o primeiro do Estado de Pernambuco nesta perspectiva.
Após estas iniciativas, um grupo de professores do Curso de Pedagogia iniciou, de modo mais sistemático, a articulação para a criação de um Programa stricto sensu em Educação na UAG/UFAPE, uma vez que havia (e ainda há) uma necessidade crescente, no Agreste Meridional, por formação continuada de qualidade que colabore para que os profissionais da educação melhor compreendam os problemas educacionais, tendo por referência a realidade local e, sobretudo, consigam ser capazes de elaborar estratégias para a superação desses problemas.
Esse grupo de professores, além de idealizar a criação do Mestrado Profissional em Educação, passou a planejar e realizar algumas ações visando conquistar as condições necessárias para a implantação do programa, tais como a criação e consolidação de grupos de pesquisas, maior investimento na divulgação das pesquisas realizadas por meio de publicações.
Assim, em 2017, foi submetida a nossa primeira proposta de Pós-graduação em Educação (Mestrado Acadêmico). Na ocasião, ainda sem conseguir reunir uma quantidade suficiente de docentes permanentes pertencentes somente à UAG, partimos para fazer convites a professores de outras unidades acadêmicas, da UFRPE, e conseguimos formar um corpo docente com a quantidade mínima exigida. Contudo, não obtivemos êxito na avaliação e a proposta não foi aprovada pela CAPES.
Em 2019, nova tentativa foi feita e uma segunda proposta de mestrado acadêmico em Educação foi enviada. Na ocasião ainda não tínhamos o número suficiente de docentes permanentes exclusivamente da UAG, então a estratégia dessa vez foi construir uma proposta na modalidade de associação ampla, entre duas instituições de Ensino Superior, no caso fizemos a parceria com a Universidade de Pernambuco (Campus Garanhuns), instituição estadual. Entretanto, mais uma vez não conseguimos a aprovação.
Essas duas experiências nos ajudaram a amadurecer enquanto coletivo. A partir dos pareceres recebidos, da análise dos nossos pontos fortes e fracos, durante esses últimos anos, o grupo foi investindo mais em alavancar sua produção científica e de produtos técnico-tecnológicos, bem como suas experiências formativas. Além disso, de 2019 para cá, novos professores chegaram na instituição e vieram somar qualidade ao corpo docente do Curso de Pedagogia, pois são profissionais bastante engajados nas atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão. Foi neste contexto que em 2024/2025 este mestrado profissional foi aprovado. Contudo, a análise feita das experiências anteriores nos fez compreender que o perfil do nosso coletivo se alinha, de forma mais adequada, às características e aos objetivos de um Mestrado Profissional em Educação. Enquanto corpo docente, temos tido várias vivências e produções que se alinham melhor a essa modalidade de mestrado.
Por fim, considera-se que a participação desse coletivo docente no Mestrado Profissional também contribui para a elevação da qualidade do ensino ofertado nos Cursos de Licenciatura da UFAPE, ampliando as oportunidades de compreensão da realidade educacional por meio das pesquisas e dos produtos técnico-tecnológicos produzidos em parceria com professores e demais profissionais da Educação, mestrandos do Programa. Ratifica-se, assim, a estreita integração entre graduação e pós-graduação.
Objetivos
Objetivo Geral
Contribuir com a formação continuada de professores da Educação Básica que atuam em instituições públicas em âmbito municipal, estadual ou nacional, com vistas à melhoria da Educação e o desenvolvimento social, econômico e cultural, em particular da região do Agreste Meridional de Pernambuco.
Objetivos Específicos
a) contribuir para a construção de conhecimentos científicos que possibilitem a elevação dos indicadores sociais e, por conseguinte, a melhoria da qualidade da educação no ensino básico;
b) ampliar o processo de interiorização da Pós-Graduação Stricto Sensu, no que condiz à formação de professores, de modo que a população residente nos municípios distantes dos grandes centros urbanos também tenha acesso a esta qualificação profissional;
c) valorizar as identidades e as especificidades regionais que caracterizam os espaços do Agreste Meridional pernambucano em sua diversidade territorial, visando desenvolver instrumentos didático-pedagógicos consoante às peculiaridades dos professores da Educação Básica.
Perfil do Egresso
O processo da educação em geral se projeta na continuação dos processos educativos que estão sempre em transformação, visando-se o aprimoramento do aludido processo de forma que o profissional dessa área deve estar consciente da necessidade de mudanças de estratégias e metodologias quando necessárias, uma vez que lidamos com a complexidade humana. Assim, o referido Mestrado Profissional em Educação contribuirá para o desenvolvimento das seguintes competências junto aos egressos para:
- Atuar profissionalmente comprometido com a ética, a justiça social, a cultura da paz, os direitos humanos, a educação dos direitos humanos, a democracia e a cidadania ao longo do seu exercício profissional docente;
- Ter atitude crítico-reflexiva e investigativa frente a realidade educacional brasileira, compreendendo o papel político, ético e social do educador, especialmente da educação básica, na sociedade contemporânea;
- Desenvolver a consciência sobre a importância da pesquisa aplicada na atividade docente e como fonte de aquisição e ampliação do conhecimento, bem como ferramenta para o desenvolvimento de novas metodologias no ensino-aprendizagem, além da contribuição para a percepção crítica no que condiz ao aspecto social, econômico e humano, em âmbito regional do país;
- Ser capaz de desenvolver de instrumentos e métodos de ensino que atendam às demandas e às especificidades da região do agreste meridional pernambucano, com vistas ao desenvolvimento local;
- Atuar, não só na sala de aula, mas também no desenvolvimento de planejamento e de orientação dos processos de qualificação de professores para gestão e para atuação pedagógica na educação básica;
- Atuar em coordenações e preparações de profissionais para o ensino de jovens e adultos;
- Estar apto a gestão de processos educativos escolares, construção do projeto político-pedagógico e organização do trabalho pedagógico nas escolas, além de gestão e implementação de iniciativas e/ou projetos de desenvolvimento comunitário sustentável em escolas em geral, conforme a realidade do espaço geográfico de atuação;
- Estar habilitado a apresentar reflexões e elaborações pedagógicas e científicas imprescindíveis para uma atuação pautada na universalidade e humanização da Educação, para atuar junto ao corpo docente do Ensino Básico bem como auxiliar nas atividades de pesquisa, metodologias de ensino e de preparação dos instrumentos didáticos de ação e atuação do profissional-professor;
- Estar apto aos estudos de doutoramento dentro ou fora do país e também ter pontuação condizente com o título em concursos da área. Nesse aspecto, também terá mais possibilidades de aceite de artigos em periódicos, em especial aqueles vinculados à área de educação.